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Aldeia Multiétnica: um espetáculo de magia e saberes

16//07/2018 | Por Sinvaline Pinheiro

Lucas Rõrpár Krahô , da aldeia Cachuera e arte de Mirella Lima

Localizada em uma região de cerrado aberto na Chapada dos Veadeiros, a 5km de Alto Paraiso, a Aldeia Multiétnica em sua 12ª edição traz etnias de várias partes do Brasil e de alguns países como o Peru e o Canadá. São elas: o povo Krahô (TO), Guarani M’byá (SP), Kayapó Mebengokré (PA), Xavante (MT), Kariri Xocó (AL),  Fulni-ô (PE), os povos do Alto Xingu (MT), o grupo de Atikamekw (Québc-Canadá) e ainda representantes da comunidade remanescente quilombola do Sítio Histórico Kalunga.

As etnias participantes da Aldeia Multiétnica  tem sua casa construída de forma original, onde se hospedam expondo sua cultura desde a alimentação, danças, pinturas corporais, cantos sagrados, artesanato e outras peculiaridades. Nesses dias se pode vivenciar de perto a beleza das culturas tradicionais e muito mais: aprender com eles o respeito à vida, ao outro, à terra, à criança e ao meio ambiente.

A Aldeia Multiétnica está se consolidando estruturalmente e reunindo a história de união dos povos indígenas num local onde se integram em perfeita harmonia. Essa interação com o branco se faz forte em inúmeros momentos da programação. A vivência traz naturalmente informações e conhecimento sobre o modo peculiar do indígena viver e tem como objetivo a quebra do preconceito através da realidade vivenciada e do rompimento das barreiras entre os próprios indígenas e o homem branco. A intenção é a criação de um Centro de Saberes fundamentado na cosmologia indígena e a formação pelos mestres da cultura tradicional.

O escritor e indigenista Fernando Schiavini, co-idealizador da Aldeia Multiétnica, destaca a sabedoria indígena milenar, quando estes já cultivavam e domesticavam plantas para alimentação sem adubo. São conhecimentos abandonados pelo homem branco. Segundo ele, a colonização foi uma forma de escravizar e matar a cultura indígena, e que ainda continua de várias formas.  Porém, isso não muda a resistência indígena, que segue forte contra a pressão do agronegócio, mineradoras e outros.  Destaca ainda que:  “...a luta também está na capacidade do índio em entender o mundo que nem mesmo os brancos estão entendendo. ”

O antropólogo José Carlos Albuquerque Souza de Almeida, que trabalha junto ao povo Yawalapiti, considera essa vivência como um momento único, de onde podem surgir projetos, intercâmbios culturais e é uma das formas do homem branco conhecer de perto a realidade indígena.  “Os encontros dos indígenas com os não-indígenas são importantes para acabar com o preconceito e com a ignorância sobre os indígenas. A Aldeia Multiétnica é o melhor ponto de encontro entre mundos e culturas diferentes. O Brasil precisa conhecer o Brasil. ”

Assim, a cada edição, esse encontro reafirma seu propósito na defesa da causa dos povos tradicionais, deixando nas pessoas um sentimento de respeito à causa indígena e quilombola, o que faz da Aldeia Multiétnica um local de aprendizagem, magia e beleza.